Tear Literário_ Poesias_

Tear Literário_ Poesias_

Este espaço é reservado às pessoas com olhares interessados em Literatura, aos tecedores de amigos e aos amantes da vida. Nele, escancaram-se o coração e a alma _do Médico-Escritor, Paulino Vergetti_ para receber seus amigos e visitantes. Alagoano, nascido em União dos Palmares, terra do poeta Jorge de Lima e de Maria Mariá, publicou trinta e duas Obras: romance, conto, crônica, poesia e ensaio. Médico Oncologista, casado, dois filhos, reside em Maceió, onde escreve sua Literatura.

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Name: Paulino Vergetti Neto
Location: Maceió, Alagoas, Brazil

Um homem apaixonado pela vida.

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  • Friday, May 01, 2009

    Loucuras de longe



    Loucuras de longe




    Louco por ti e por amor vivendo

    que inda amando não me lembro

    de mais nada além de contigo ser feliz.

    Quieto convido a solidão

    e entre tantas distâncias,

    só apenas uma na multidão

    quando nenhuma presença de ti me sobra.

    Vem logo pra perto de nós

    antes que nem sejas tu,

    e eu não mais saiba de mim.

    Louco por mim é o teu amor

    que mora em longínqua plaga

    onde tudo pode começar,

    e não há nele o que se acaba.

    Luz do além




    Luz do além




    A tua luz pousou em minha alma,

    quase distante,quase apagada,

    mas próxima de tudo de mim.

    Aquela luz vinha de longe,

    reencarnada em um anjo,

    desses anjos doces de Deus.

    Cerrei os olhos e abri o coração.

    Senti-a adentrar feliz,

    como se apenas me ensinasse a reviver

    e amar os sonhos bons,

    os sonhos amantes de nós, algum prazer.

    Possuiu-me a tal luz do céu parida,

    doutras fontes de amor da vida,

    onde os espíritos moram.

    Pousada a luz floriu

    e se eu não estava mais em mim...

    minha alma sentiu, minha alma sorriu.

    Tuesday, April 14, 2009

    É isso que eu sou!








    É isso que eu sou!



    Sou, sim, tudo o que essa dor me ensina

    e esses olhos choram

    e esse peito sente.

    Sou mesmo qualquer palavra ouvida

    entre silêncios de angústias tidas,

    que nem sei se procuradas,

    tampouco prometidas.

    Sou a ponte pensada para o infinito

    e algum momento ileso achado.

    Sou, sim, esse caminho tão pequenino

    dentro dessa enorme e bela estrada.

    A águia e a formiga







    A águia e a formiga





    Vi no céu a águia voando,

    altiva ave de tão raro vôo

    e o que não me perdôo é não ter asas.

    Vi na terra a pequenina formiga

    e de tão teimosa me ferrou

    e quando eu senti a dor,

    percebi o quão difícil é tornar-se águia

    Mas há um lado lobo em tudo o que fazemos,

    quando criamos a arma e o seu estouro,

    mas se eu atirar na águia,

    na terra as formigas aglutinadas

    servir-se-ão do lodo dos meus dissabores.

    Friday, January 09, 2009

    Iremos juntos


    Iremos juntos



    Meu traquino olhar inda menino

    olha esse teu,

    esse imenso em que tudo cresceu

    como um viço gigante de um amor que só nasceu

    para viver apaixonado.


    Acho que é por isso que meu coração é feliz

    e tudo o que o teu a ele diz,

    torna-se um fato consumado.


    Eu prefiro beber dessa leveza

    e como pétala de uma flor apaixonada

    voar no vento que beijar minha face

    como se para longe quisesse levar-me

    em traquina viagem e sem deixar saudades

    porque o teu amor indo como o meu

    seria tudo o requerido para que nos validasse

    e sermos de nós cada um do outro.

    Diferentes iguais




    Diferentes iguais



    Um aflito vazio,vago elogio,

    certos amores frios,

    tudo em um olhar chorado,

    quase entendido,

    pouco beijado,

    os diferentes dos quase iguais.


    Sou desses anjos oportunos

    que quando caem das nuvens enchem o mundo

    e não querem mais ao céu voltar.

    Tenho visitado céus diversos:

    uns longínquos, outros tão perto

    que até santo tenho me sentido

    e quase amado, quase vivo...

    em um vago gesto de sentir saudade

    quando quem se ama está ao lado

    mas bem longe do coração.

    Ventos diferentes


    Ventos diferentes






    Sonda-me certo vento frio,

    cruzador de mares, bebedor de rios

    e que vira onda quando por mim passa.

    Minha pele foi hoje beijada

    ao senti-lo vivo e carinhoso

    roçando minha face em olhar sigiloso

    criando fragrâncias, deixando-me amado.

    Pobre de minhas tempestades todas,

    as que não o vêem nem olham meu olho,

    pois são os desperdícios de dores e choros,

    são favas contadas que não me valem mais.

    E se esse vento passar indo embora

    e essa tempestade ficar do meu lado,

    avisarei ao coração que se mude do peito,

    vire um brinquedo na mão de criançae

    sirva-se fartado de qualquer esperança,

    que outro vento novo puder lhe ofertar.

    Wednesday, October 29, 2008

    Partida





    Partida



    Nada saberás quando partirmos,

    eu e minha dor,

    eu e minha saudade,

    eu e teu amor.

    Partirei sem vinda ter,

    indo como quem nunca chega.

    Dir-te-á uma ânsia ficada

    no vento do que não me quiser,

    nem tiver,

    nem souber nada!

    Não saberás jamais

    o tamanho do meu amor,

    o que eu te dei

    e inda te dou.

    Agora me deixa ir sozinho,

    mas, cheio dessas saudades...

    que quando vivem dentro de nós,

    sacodem a alma,

    amassam o coração

    e ensinam-nos a estrada por onde se parte.

    É por aí...





    É por aí...




    Pirilampos do dia,

    beija-flores da noite

    e o meu coração só ama

    quando meus olhos encontram suas dores.

    Sou feliz quando procuro

    e acho-me nos sóis dos meus escuros

    e vôo

    e ando

    e amo.

    Estrelas brilham ao meio-dia

    quando meu amor recria as cores

    e enlouquecido ama.

    Sou a força dos meus desejos

    e o olfato do mundo e,

    se me perco proseando,

    nos versos acho tudo e assim vou

    e assim sou

    e assim amo...

    Foi tão rápido





    Foi tão rápido




    Simpática esta mulher

    que me chegou faceira

    no silêncio de um beijo,

    no afã de todos os desejos,

    mas sem densa coragem.

    Simpático, sim, este amor de mim

    visto em tua carne

    que após amar-me

    brindou-me o coração.

    Nunca mais te esquecerei

    e antes de beijar-te nua

    abraçarei tuas roupas verdadeiras

    já que és também moça solteira

    e mal amada.

    Simpática me foi tua rebeldia

    mas te amei nos minutos que prosamos

    e se não for de todo o meu engano,

    por alguns minutos mais...te amei!

    A alma da zíngara







    A alma da zíngara






    Tua alma é doce

    e teus beijos nem sei ainda se são meus.

    Teu viço proíbe-me de ir-me

    e fico assistindo-te

    meio homem e meio bicho

    ciganeando tua liberdade

    entre afagos e abraços.

    Cantai tu e tuas castanholas,

    que teu amor me chegue livre

    e quando o sol se pôr

    tenhamos um lindo encontro de amor

    e tudo entre nós esteja além de vivo.

    Sunday, August 24, 2008

    Abraço transoceânico








    E há do outro lado do mar

    algum desejo meu perdido,

    melhor do que o meu amor,

    melhor do que aquela flor

    por mim beijada

    no dia em que tua saudade me chegou.

    Cá fervilham lágrimas tristes

    no meu rosto

    nas verdades retratadas num desgosto,

    o de ter-te deixado ir embora.

    E se o mar ainda nos divide,

    segue o teu coração,

    estira daí as tuas mãos

    que de cá as minhas te abraçarão felizes...

    Olhar segredado










    Chega-me do teu olhar profunda calma

    e se insisto amar-te, não te abalas

    e eu, apenas só, amo de tudo.

    És um doce segredo bem guardado

    que se ouve no beijo,

    que se veste no abraço...

    uma história de amor,

    proibidos desejos

    e só me resta olhar...

    o olhar do teu segredo

    tão Cheio dos meus olhados

    Almas de pedra








    De sobrolho eu sobre a pedra

    olhando a pedra de tua alma

    lá embaixo esquecida,

    até o pântano de um olhar cheio de lágrimas.

    Jogo pedra às pedras

    e uma festa implode e pode

    viver nos arredores dos nortes

    em tua direção deixada

    por qualquer destino meu andante.

    Enfim minha alma encontra a tua,

    somos a roupa das palavras nuas

    encharcando alegrias, enforcando vontades.

    Há um olhar temido e enxergador

    e não diz ele de qualquer dor,

    finge ela em nós doer desacordada.

    Sunday, June 22, 2008

    Cheira a alfazema


    Tua voz é brisa sedutora

    que se faz cantiga aos meus ouvidos

    e tua pele é esse cheiro bem sentido,

    a minha acha de cheirar embriagada,

    e cheiram teus olhos a rosas molhadas

    quando no campo são docemente seduzidas.


    Corvo manso eu alto passo

    sobrevoando o jardim onde te escondes

    e deixo-te uma saudade sem nome

    como se fora ela apenas o perfume de um abraço.


    Cheira a alfazema o nosso amor,

    saciado de beijos e de abraços

    como me pede o coração fazer com pulso.


    Deixa-me dizer-te do amor que tenho

    e dos desejos que n’alma os redesenho

    pensando apenas em querer-te em minha alma.

    O último abraço


    Abraça-me, talvez tu me aches próximo

    do teu distante olhar

    e de tão vaga lembrança.


    Meu olho fixa-te descontente

    e sabe lá Deus se a gente...

    algum dia se amou de verdade.


    Sou hoje a esperança da redescoberta

    e se tudo nos foi longe,

    hoje há em mim muita pressa

    de encontrar-me noutros braços

    e, doravante...

    amar e de novo amar com o peito em festa!

    Se foi, pronto!


    Nem sei se brota mais em mim a planta tua

    murcha de ti, lúcida da rua

    como ave rara que perdeu com as asas

    a cor da lívida carne crua.


    Olho em teu peito a cicatriz do medo

    e se não te renego, em mim

    não me há mais desejo

    de ter-te embriagada em meus braços vadios.


    Corre e diz ao tempo o tempo nosso

    e se a rua não mais te quiser,

    volta ao meu quarto na santa quarta lua que clarear teu rosto.


    Mulher, fêmea atrevida que mudou meu mundo

    se foste embora, foste embora e pronto

    e no meu mundo, tonto eu fico em meu castigo vago!

    A alma do outro




    D’alva e lúcida luz dá-me o teu beijo

    entre os olhares dos lábios rebeijados

    e não morra fora de nós qualquer abraço

    que não nos faça pecar frente aos desejos.



    Quando o meu coração olha o teu,

    é como se escrevesse algum recado

    e dissesse a ti sem medo que, apaixonado,

    ando a ceder tudo o que em ti amo.



    Devolveste em um manso aperto de mão

    tudo o que luze em meu coração

    pelo teu perdidamente apaixonado.




    Amo-te individualmente farto

    e entre nossos beijos e nossos abraços,

    eis que minh’alma adora amar a tua.

    Sunday, May 18, 2008






    Faz tempo...







    Sinto a tua falta

    quando não me acho

    e sei que o teu abraço

    está distante.

    Desejo-te quando me cheiro

    e sinto que há em mim o teu perfume

    e faz tempo que te beijeic

    omo homem...

    Quero-te todas as vezes que oro

    e saudoso ao destino imploro:

    volta,vem

    segue-me!

    Abraça-me e jamais negues

    que em loucos dias eu te amei...







    Abandonos




    Pus em tuas mãos meu mundo,

    do raso ao fundo

    em tudo o que te dei.

    Sou a estrada dos teus pés

    que me leva junto

    quando qualquer saudade nos pergunta

    por que nos amamos tanto de uma só vez.

    Há um abandono.

    Sei que dormi sem sono

    e sonhei sem dormir.

    Pus em tuas mãos o meu amor

    e hoje, maltratado por teu desamor,

    sinto sede,

    sinto dor,

    sinto fome!






    Dos dois lados de mim





    Do outro lado de mim

    está meu álibi

    que só nasce quando apaga a luz

    e só vive quando eu te abraço.

    Meu peito ardente escuta o teu

    mas é apenas com um beijo meu

    que teu coração me laça.

    Fazer amor contigo

    é uma festa preparada

    e há entre nossos corpos

    camas bem forradas,

    luzes apagadas

    e amor até algumas horas.

    Do outro lado de ti

    eu sempre chego

    acordado, cheio de vontade e sem medo

    para encontrar em nós

    os folguedos libidinosos

    de nossas loucas madrugadas.


    Passarinho rebelde




    Voa, passarinho, voa pra longe,

    mas pra bem perto de mim.

    Abri as mãos e voaste,

    cresceste e aprendeste a amar tão diferente

    que jamais sentes o que sentias antes.

    Se ele voou, eu fico a observar

    e se ele te leva a alma,

    eu fico aqui a te esperar,

    sendo pai, gaiola e canto...

    Ah! meu passarinho rosado, volta,

    chega pra enxugar meu pranto

    e nunca mais roubar meu canto

    com tuas ásperas palavras.

    Voa, meu passarinho, voa alto,

    mas antes de caíres, pousa em meus braços

    e longamente canta!


    Posso ir?




    Minha alma conjuga verbos imperfeitos

    e é por isso que em meu peito

    mora uma solidão disfarçada de amor

    e na multidão não mais te vejo

    e falta ao meu olhar a calma de um desejo

    para te ver como gente amada,

    e seres esse amor de meu amor.

    Meu coração ainda acredita

    que tudo a paixão pode

    e o medo acolhe

    e a voz calada confirmando grita.

    Amo-te como um descuido reaprendido

    e o peito ferido

    tragado por teu desamor.

    Diz-me onde estás ou onde moras,

    quero deixar-me ir embora

    para bem próximo de ti

    e ver teu olhar sorrir

    e meu peito enxergar

    e ao teu coração confidenciar

    esse amor que ainda cevo comigo.

    Tuesday, May 06, 2008


    Pôr de poesia
    Há um pôr de poesia

    no sol deste poema

    e tua alma brilha luzidia

    como se nela morasse além da alegria,

    uma doce e poética chama.

    Faço poemas para me divertir

    e chorar sorrindo

    e sorrir chorando.

    Ser poeta é viver um alegre abandono

    e dosar na solidão mil corações,

    todos eles apaixonados pela vida.

    Há um poema e a poesia.

    Há neste poema tanta alforria

    que, mesmo preso no papel,

    há de ser ele livre

    e não viver ao léu,

    mas dentro de algum encanto crido.

    Janela serenada


    Janela serenada
    Da janela vi o teu corpo passando

    qual desejo meu cheio de pernas e andando

    entre os pés do meu olhar,

    buscando o teu...

    como a te chamar de amante.

    Acenei ao luar frio pedindo-te

    e vi todas as janelas se fechando

    e apenas o meu coração abrindo-se,

    a chamar o teu.

    Vaga a noite sem ti, insônia minha,

    dói na alma desamada lágrima fria

    como tão fria é a noite solitária

    que me chegava da janela do quarto,

    levando-te a novas ruas sem janelas.

    Passa um amor sem poesia

    e fica o poeta à janela, desamado

    triste e serenado,

    buscando um novo amor que alegre passe

    e o abrace

    e assim sorria...

    Dor e disfarce











    Dor e disfarce


    Afleima-me esta tua indiferença

    e é por isso que meu amor morre

    e não te socorre

    à frente desta solidão.

    Dou-te inda mais amor que o dado

    e vejo à tua face,

    apenas um sorriso falso

    amedrontando-me.

    Anoja-me tê-la disfarçada

    e se para o riso estás tão irada

    que tua verdade morra.

    Sê como o arco-íris

    que embora longe dele tudo se sabe

    e abraça-me apenas quando sentires vontade

    e nada mais.

    Afleima-me sentir a tua dor

    quando inda teu jeito sangra e ri

    apenas para desmentir

    a dor que em teu peito é louca chama.

    Saturday, April 26, 2008


    Imagens e espelhos
    Consolo minha image

    molhando para o meu olhar

    e vendo o teu rosto

    beijando a minha face

    dentro da face desse mesmo espelho

    que sem qualquer medo

    olha pra mim e ri .

    Vejo nela a maior lição de mim

    e nele, joios e trigos,amantes e amigos...

    e a vida a passar !

    Está em minha face a face tua

    e está em tua casa a minha rua

    e no meu avesso, teu melhor lado .

    Consola-me com a emoção

    de trazer ao meu, teu coração

    e amar mais a tua alma que a minha ,

    essa doce erva daninha,

    esse doce veneno de nós dois

    que mesmo depois...

    vive do antes .


    O último adeus
    Não me espere pra jantar.

    Vou dormir fora de casa,

    talvez na estrada

    que me levar embora.

    Acordei antes de ti

    e logo sairei às ruas

    sem qualquer lembrança tua

    levada ou deixada!

    Não me esperes mais agora

    nem nunca...

    e sabe que algum amor que havia

    se foi...

    entre dores e abraços de nós dois

    para nunca mais nos encontrarmos.


    Viagem com a solidão
    Que grata solidão fez-me pensar

    e ver que em algum lugar

    há tanto o que eu desconhecia.

    Minha dor possui pernas apressadas

    e é por isso que minha alma conhece estradas

    à procura doutras almas solitárias

    que de si nunca saíam às caçadas,

    distraídas e desamadas também.

    Vou-me solitário ao fim do mundo,

    descobrir caminhos,

    achar mundos...

    e entender que a solidão de tudo

    é algum caminho que vaga

    a nos mostrar novas estradas,

    amores novos e novos ninhos.



    Há tanto mal...



    O que há de ti em mim, o que há?

    Há o nosso desamore ciúmes desembestados

    que mesmo quando estamos lado-a-lado

    amamos um ao outro tão distantes.

    Há um sol que escuro vive

    e luas desacesas a matar a noite

    e não há beijos

    e não há açoites

    quando o meu amor encontra o teu.

    Há lutas perversas

    e desejos apagados

    e há fronhas molhadas,

    lençóis assanhados

    e entre nós, querida...uma noite perdida

    e sonhos tão desenfeitiçados.


    Perdôo-te!


    Quando eu puder voltar,

    irei pra longe...bem longe

    e onde não mais houver lugar.

    Desaprendido de tudo,voltarei ao mundo

    e aprenderei de tudo...a reamar.

    Desejo perdoar-me alegremente

    e, se amado fui, haverá sementes

    e hei de plantá-las em meu coração

    e estendendo as mãos,também perdoar-te.

    Sunday, February 17, 2008

    À primeira vista



    Quando eu te vi,

    foi amor vistoe acreditado!

    Olho-te aos olhos

    e vejo o teu coração cheio de mãos

    a pedir-me.

    Sei que somos um grande amor

    que, mesmo nascido após uma grande dor,

    respira esperança.

    Quando te vi,

    soube em mim e eu cri

    que seria muito amado.

    Irei abraçar-te e feliz viver

    antes de dizer:

    amo-te demais, minha amada!

    Cadeira vazia



    Fechei todas as janelas

    e o sol agora entra apenas

    pela porta.

    Ela, pensada e morta,

    foi à rua

    chorar na praça,

    cruzar novas estradas...

    foi embora.

    Fechar-te-ei também,

    ó porta linda,

    mas a cadeira

    vazia à sala será sempre dela,

    nalgum lugar

    de alguma sala

    sem qualquer longa espera,

    mas na mesma casa...

    Recriarei



    Recriar a alma

    não suporta mais meu coração

    que de tanto amor já provado

    acha-se sem nenhum às mãos.

    Recriar-te-ei com carinho

    e catando cada pedacinho

    hei de fazer-te grande.

    Choram-me desejos ávidos

    tantos que já foram embora

    que apenas me enchem a alma nesta hora

    amores de amargas despedidas.

    Recrido, reamarei

    e em todo coração que achar,

    neste saberei

    se ainda me cabe nele ser amado.

    Morrer de amor...



    Valsam-me amores lindos

    uns tão perto de mim,

    outros longe e tão distintos,

    que se eu verdadeio em palavras,

    acham que minto

    e não sabe ninguém

    o que de tão belo sinto.

    Valsam-me dores de amor

    e amor de dores,

    há os dias tristes e apagados,

    há as belas noites de belos resplendores

    onde dormindo em sonho

    e em sonho eu morro!

    Olha mais...



    Meu olho olha o teu

    cá de dentro do meu olhar

    como se nada dele enxergasse.

    Minhas palavras brigam com teus ouvidos

    e o meu desdito é dito

    e nada do que eu sei tu sabes.

    Minha boca acanha-se do teu silêncio

    e é plenamente injusta

    e o que meu olho escuta

    está em tua face!

    Olha-me e vê

    que tudo em que o teu coração crê

    em mim não há como verdade.

    Queda-me tudo



    Quedam-me n’alma amores lindos

    e tantos outros finos desejos

    e andam eles do abraço ao beijo

    e de baixo a cima.

    E encontro em mim tantos meninos

    dissolvidos no homem que me apercebo

    e viver feliz é-me o melhor preço

    antes de compor versos e ser poeta.

    E se olho o céu bem estrelado,

    dele me quedam lindos palhaços,

    todos os circos do meu céu.

    Mas se falta em ti amor bonito,

    cala-te e ouve-me aos gritos

    querer dar-te sem limites

    todo o amor que é meu e teu.

    Mulheres como as outras



    Passam-me elas iguais a tudo,

    Uma a uma essas loucas criaturas,

    tão felizes prostitutas,

    tão doces meretrizes,

    tão tristes raparigas

    e tão estranhas damas surdas!

    São as simples putas das ruas

    essas mesmas mulheres das casas,

    tristemente desprezadas

    e das outras, crias das mesmas crias,

    fêmeas de famas ou de folias.

    Desentendo-as quando as vejo

    e algum meu olhar com medo

    olha-as sem vê-las nas praças

    e nela há o que me afaga

    e dela quase tudo que gosto.

    Vulgívaga e santa prostituta,

    és tão bela como as outras putas,

    tantas cuidam apagadas de nós,

    esses tão ferozes homens

    dos átrios doutras moradas

    jamais sabem as outras

    que são todas vocês

    como as outras damas da rua.

    Espere um pouco mais...



    Sinto-te como se te desejasse o tempo

    e te quisesse a vida

    e me esperasse a alma

    contando as novas horas.

    Meu mar foi feito nessas saudades,

    culpa de tantas lágrimas já choradas

    mas para nós há oceanos de alegrias

    e tantas esperanças de felicidades.

    Sinto-te chegando

    e em meu novo coração entrando

    para lá ficares.

    É nossa novamente a vida

    e hei de dar-te doce guarida

    e beijar-te fortemente em meus abraços.

    Espera-me um pouco ainda

    e uma estrada hei de cruzar sem pressa

    e doar-te a vida de minhas vidas

    Totalmente apaixonado



    Cala-me a voz

    mesmo que palavras ainda me faltem

    a dizer ao teu coração.

    Deixa apenas que o meu olhar te fale

    e o que restar em mim se cale

    e tudo de mim saibas.

    Entrego-te tudo o que quiseres

    e é apenas assim que me serve

    amar-te e por ti ser amado.

    Loucuras tantas cabem em nosso amor

    mesmo que entre sorrisos haja dor

    e meu peito entristecido sangre.

    Cala-me tudo

    e que a tua voz fale ao mundo

    o que de mim em ti sobreviver

    e todos hão de saber

    que por ti estou perdidamente apaixonado.

    Thursday, November 22, 2007

    Espírito de poeta



    Há no mundo dores divertidas,

    tantas que magoam,

    poucas que ensinam,

    várias que esclarecem,

    muitas esquecidas

    e as que mais ferem

    são as que não saram

    mas sempre atrapalham

    vivermos a própria vida.

    E assim digiro lembranças

    e domo agonias

    e sou teatro e palco

    e prendo a alforria

    e sendo alegre e triste

    sou-me a fantasia

    e entre palhaço e bobo

    sou apenas o troco

    do que me dá a poesia.

    Amor demais...



    Meu bem,

    há horas que em teus olhos

    há felicidade

    e noutras, tanta maldade

    e é quando o meu amor por ti se esconde.

    Mas entre tudo isso és por mim muito amada

    porque em mim há também

    as horas desenganadas do meu próprio amor

    e é quando eu te oferto

    essa mesma dor que me maltrata.

    Amiga, tivemos muito tempo para amar

    e mais felicidade ainda para regar

    o que murchou em nós não existido.

    É findo tudo agora!

    Fica que eu vou-me embora,

    habitar noutro peito visitado

    mas deixo no teu ficado

    o justo amor de um homem apaixonado

    que nunca te esqueceu...

    Lágrimas e risos reencarnados.



    Meu corpo, pobre corpo...

    está cheio de idades

    e de documentos,

    cheio de vontades

    e de sofrimentos,

    cheio de mortes

    e de nascimentos

    e sabe só morrer.

    Mas é dadivosa a vida

    e tudo o que se desfaz é esquecido

    e para se viver

    há de ter-se morrido

    e reencarnar sorrindo

    e talvez chorar depois.

    Pobre corpo este meu,

    um ateu que crê

    tão vivo que há de morrer

    quando não morrer um dia

    e deixar da vida, nela a agonia

    e encantar-se pra nascer feliz de novo.

    Os olhos sabem...



    Quando os teus olhos olham os meus,

    vêem um espólio

    e sabem logo que eu os adoro

    e para enfim te amar

    basta tua boca me beijar

    e eu beijar a tua

    e esses mesmos olhos verem a lua

    no céu do nosso amor.

    Mas esses olhos também choram

    quando qualquer dor os apavora

    e nossas almas se desencantam

    e é por isso que quando o meu coração manda

    eu sempre obedeço

    e ver-te feliz é o meu maior encanto

    e dizer eu te amo

    minha mais viva verdade.

    Sunday, November 04, 2007

    Traz minh'alma de volta










    Leva minha alma um pouco
    para que ela more longe de mim
    e vivendo distante, assim,
    aprenda a não abrir mais
    as janelas dos meus olhos
    nem a taramela do meu coração.
    Se muito amor te dei,
    é porque sempre desejei
    que a tua alma também fosse minha.
    E nada nos foi em vão
    porque, amada,
    hoje ainda chora o coração
    derramando-se de saudade...
    Traz minh’alma de volta
    que esse corpo tolo não suporta
    viver só!










    Cais de afagos


    Pega meu barco

    e põe teu mar dentro dele,

    faz-me zelador de tuas ondas,

    lava meu peitoe sê minha de qualquer jeito

    dentro ou fora d’água.

    Porto e cais dentro de mim te esperam

    e são estradas tuas,

    paradas minhas

    onde nossos amores conversam

    sem pressa

    e assim se aninham.

    Golias e Davis



    Minha alma veste-se da tua

    quando nós nos amamos

    e, qualquer angústia minha ver-te nua

    caçando as roupas do meu corpo

    absorto, cálido e louco

    procurando certas ruas tuas...

    Meu endereço está no teu olhar

    que às minhas retinas

    deixam-me sorrindo

    como um menino feliz a sonhar.

    Gosto tanto de beijar tua boca

    e feliz, deixar-te louca

    pelos corpos deste meu olhar

    que, atravessando o teu,

    faz-me um manso pigmeu

    só pra te gigantear.

    Ó Nossa Senhora



    Nossa Senhora de minhas tantas dores,r

    ogai por ela e seus dissabores

    que tão distraída de mim se descuido

    umas, se pecado o for,não deixeis que qualquer desamor

    de mim se aproxime ou me maltrate

    e que seja a minha arte

    a arte de levar ao mundo amor.

    Permiti vós que eu more entre poemas

    e que saibam os outros que vale a pena

    amar este poeta desamado...

    Ó Nossa Senhora de minhas tantas dores,

    rogai por mim depois dela

    e me abri não apenas uma janela,

    mas portas tantas

    para que as estrelas que me encantam

    possam comigo habitar infinitos céus.

    E por fim, Nossa Senhora, rogai por nós

    e dizei ao mundo que não nos seja um algoz,

    mas a casa de uma nova felicidade.

    Triste / verso / triste



    Hei de fazer tristes versos

    e versos tristes

    ainda que minh’alma gargalhe

    e qualquer barulho eu embaralhe

    para dele tirar minhas cartas.

    E não procurem em mim

    o que não possam achar

    porque sou essa carta

    em qualquer lugar,

    por onde andar minha alma.

    E hei de fazer sempre tristes versos

    e em versos tristes desandar-me

    escondendo a alegria que me acoitar

    também envergonhada

    por não saber sorrir e festejar...a vida!

    Thursday, October 18, 2007

    Melhor fugir...


    Há séculos que não te vejo

    e instantes que te procuro

    com minhas pernas de homem,

    meu sexo de anjo

    e minha voz de mudo!

    Quando eu quiser te amar,

    dar-te-ei em qualquer lugar

    beijos e abraços

    e construiremos nosso mundo

    e em qualquer boca não beijarei

    para não sentir nela a tua

    e assim adulterar a lua

    quando o sol nos fizer dormir.

    Há séculos que eu te procuro

    e instantes que durmo

    para não sonhar hoje com o amanhã

    e o futuro não me chegar em chamas

    desamando-te!

    Tudo!


    Não desejo ser o último Samurai

    mas o primeiro bobo!

    Não espezinho formigas

    para não ser pisado por um elefante

    e em um rompante,

    perder toda a coragem!

    Mas queria ser amigo do Samurai

    e virar seu ídolo

    deitar-me ao formigueiro

    e não ser mordido

    e calmo e manso e tudo

    ser um beija-flor

    e o mundo, beijar profundo,

    transformar uma flor,

    sentir que um grande amor

    pode ser tudo!

    Wednesday, October 17, 2007

    Nem tanta solidão









    Ah, ó linda solidão,
    dá aulas aos meus olhos
    ensina-lhes a amar a dor
    e sentir a alegria
    e se andarem em noite ou dia
    que saibam eles amar a sombra
    e a escuridão que ama
    depois que toda a luz
    lhes for embora.
    Mas a solidão,
    que não me seja ela tão forte e rígida
    mas que me deixe sentir
    as grandes alegrias da vida
    quando meu coração visitar
    as multidões das ruas...



    Tudo para ti



    No sorriso fiel de minha alegria

    alforrio meu coração,

    caço o teu

    e acho o amor da gente.

    O que em ti maltrato,

    dói em mim

    como se eu em ti morasse

    e em mim vivesse

    pra nós dois.

    Meu amor é manso e limpo,

    possui cheiro absíntico

    e a alma leve.

    Se quiseres me amar,

    senta-te ao meu lado,

    sê meu galho

    e eu serei tua árvore

    até o fim.

    Wednesday, October 10, 2007

    Texto/oração!


    Vírgulas que saem sem palavras

    da lavra de minha boca

    que de tola

    não elabora frases

    reticenciando mágoas

    e advertindo pontos

    que parágrafo nenhum

    tenha vez!

    Exclamo ao pé de períodos

    e adormeço entre travessões

    que me vendem ilusões

    entre os dias e as noites

    Um trovão acaba o texto

    e é ele o meu pretexto,

    para não me poder ler

    nesta oração!

    Todas as portas



    Meu coração sangrou

    e a tua vida se foi

    feito poeira malvada

    misturada ao vento do teu tempo

    sem obedecer a estrada

    e fugindo de nós dois.

    O teu coração se ensurdeceu

    e o que para ele construí,

    nada te pertenceu

    porque não estavas viva

    e o amor que te enviei

    ficou comigo,

    porque encontrou em ti

    todas as portas fechadas

    e apenas desamor

    em tua alma maltratada e triste.

    Perdeste-me



    Perdeste-me

    nos dez dias do meu desaviso

    e nas dez milhões de vezes

    em que te amei.

    Perdeste-me para o mundo

    que eu desbravava ao teu lado

    sentindo-me tão amado

    e de que hoje minha dor se lembrou.

    Perdeste-me,

    desavisada talvez do tamanho do meu amor

    que,como uma grande flor,

    ainda chora despetalado e sem perfume.

    Perdeste-me

    caído dos teus braços,

    negado do teu coração,

    deixado...

    Anjo de vidro



    Minha luz

    atravessou teu coração

    e a tua casa de fantasmas,

    doces fantasmas de luz.

    Meu olhar te seduziu

    e tu, ó anjo lindo,

    como por um fio, voaste.

    E por fim tudo se quebrou

    e dos cristais de tuas lágrimas

    nada me sobrou.

    Ó anjo de vidro,

    sê de carne,

    sê de sonho,

    e eu não me vou!

    Friday, September 07, 2007

    Aformosa-me



    Aformosa-me o coração

    olhar e ver

    os teus olhos alegres, sorrindo...

    assim como me serve vê-los

    quando me lembro de ti,

    apaixonada e feliz por mim

    que te amo tanto.

    Aformosa-me o coração

    dar-te minhas mãos

    e conduzir-te no mundo,

    ensinando-te que o meu amor

    é como o teu...

    anda procurando estradas longas

    que nos conduzam à felicidade, amando...

    Ruim assim...



    Trava-me a boca

    e nem mais palavras dela saem

    e secam-me os rios

    e nem mais lágrimas faço

    e com certa cruel e rude dor

    vejo uma estrada

    e nem cruzá-la posso,

    e o sol do meu suor adoço

    e o vento é perfume que me fede!

    Se as palavras nada dizem

    e o meu olhar tampouco,

    de que me adianta sentir gostos

    se o paladar os desfaz?

    Tudo é insosso?

    Tudo desfeito!


    Cansei

    ainda que não me seja tarde

    sentir essa indiferença

    e crer que, assim como antes,

    tudo nos poderia ser de novo,

    sem ameaças e jogos,

    mas cansei; juro, cansei!

    Cansei de tanto amar-te

    magoado com os teus sobressaltos,

    teus desavisos,

    e todos esses outros inimigos de que não gostava.

    Cansei e digo-te: segue!

    Não há mais promessa minha

    nem tua.

    Ficarei velando a despedida,

    olhando para todas essas cicatrizes

    dessas nem tão saudosas feridas

    que certo dia tivemos de cravar

    um no outro.

    Quantas almas tenho?



    Minha alma, a que sonha,

    anda perdida e sem asas.

    Resta-me a outra

    que sabe tão bem chorar

    e viver entristecida.

    Tenho duas almas, eu sei:

    uma fugidia

    e a outra que sempre fica,

    a que não sabe ser alegre

    e a outra que gravita

    aos sacolejos das gargalhadas que dá

    zombando da que sempre quer estar

    chorando...

    Senhor do senhor



    Santo Senhor do meu senhor,

    o que me habita,

    justo e homem pecador que sou,

    filho do Homem santo,

    enxuga a minha dor,

    abafa o meu pranto,

    dá-me fé, Senhor

    e a vida dos homens santos

    que pecam e acreditam

    e que buscam tanto...

    dá-me, Senhor,

    o meu senhor perdido

    neste esquisito instante

    quando me falta a fé

    e sobram-me

    os pecados dos homens.

    Tuesday, August 21, 2007

    Santa morte


    Santa vida esta que eu levo,

    um inferno bem governado.

    Um anjo do céu vive em meu peito,

    outro me alicia, esse doce diabo

    e como as maçãs que me adormecem

    e as uvas que me animam

    e o sangue que me entorpece

    e o perfume que me embriaga

    e só sei o que me é a vida

    porque tudo o que faço

    estraga e passa

    num insano instante

    onde o mundo me abraça

    e rouba-me a eternidade

    quando a morte chega.

    Beijos de invernadas



    Meu coração inverna

    com as lágrimas que teus olhos derramam

    e o meu pranto as acolhe

    entre um riso e uma dor,

    meu peito é a tua morada

    e os meus braços...

    teu louco abrigo de amor.

    Se patenteamos sofrimentos,

    nossos desejos, por outro lado,

    levam-nos à loucura.

    Por fim te digo que

    a minha saliva

    é o gosto de um beijo teu

    quando abraçados nós nos damos

    às lindas aventuras de amor.

    Se é assim...,vai!



    Se é assim...,vai!

    Tantos alvos de desilusões

    e sonhos acordados,

    tudo desvendando dores,

    desfazendo a vida.

    Tem de ser assim:

    provar das maçãs amargas,

    dos tragos rançosos

    porque, se não me amas,

    toma tua dor,

    deixa a minha só,

    e vai embora...

    Estrelinha linda...



    Cai, estrela linda, no meu peito,

    chama-me de firmamento,

    retira os meus defeitos,

    dá-me um beijo.

    Sê a força de minha reflexão

    e faz-me um anjo lúcido

    e dessa nuvem jamais caio

    e nem por amor desmaio

    porque, se amei o céu

    e tive tão bela estrela,

    o que me faltará ser

    entre esta escassa alegria do meu peito

    e esta perene tristeza?

    Cai, estrela linda, cai ligeiro...

    Se eu for



    Se minha alma disser que eu fique,

    eu vou!

    Nunca mais retornarei

    e entre estrelas viverei

    em distinto céu envenenado.

    E quando a noite chegar

    e a tua face for

    apenas uma linda e triste lembrança,

    encherei de lágrimas

    qualquer dor que me alcance

    pedindo que eu volte

    e nunca mais vá embora.

    Eva rabujenta



    Ergue-te à minha frente

    feito uma Eva rabugenta

    composta de semente e ossos

    em qualquer amor ao peito,

    sem ser gente!

    Traja-te aos meus olhos

    como parasítica visão do medo

    e apenas para mim segredo,

    ergue-te assim

    sem ter amor ou ranço...

    ergue-te enfim

    qual Eva doce e rabugenta!

    Qual meretriz


    Quando anda a minha dor,

    o meu soluço dorme

    e meus olhos já não mais distorcem

    o que minh’alma mostra

    com as figuras nodosas

    de certa uma outra imensa dor.

    Quando estou feliz,

    sou mais lúcido do que uma meretriz

    que pavoneando ama

    que se iludindo doa

    que maltratando ri

    e que chorando

    é a dama mais feliz da noite!

    Não suporto assim!



    Suporto qualquer dor

    que adentre o meu peito,

    abafe o meu sorriso

    e não me respeite.

    Não tolero perder-te

    por nenhum preço

    porque, se há em mim amor,é o teu...

    cheio do amor meu

    e de toda a minha vida.

    Pescadores do mar



    A paragem do rio

    secou-me a alma,

    roubou-me as águas,

    as mesmas que fizeram-me lágrimas

    de todos os choros teus.

    O rio deixou-me só,

    desceu contente, cantando

    rumo ao oceano

    para lá fazer suas ondas

    com a carne dos meus desenganos

    e a maré com a minha alma

    que come o mar,

    enche e seca

    mata e cria

    e tantas almas a pescarem...

    Vou ou fico?



    Se eu disser que fico,

    é por castigo,

    medo ou desaviso,

    ou por uma dor profunda,

    ou desprezo por mim.

    Se o inimigo me ama,

    não posso crer em desacerto

    e basta amá-lo

    e dar-lhe um doce e longo beijo

    e acabar tudo.

    E assim há de nascer em nós

    a voz de um paraíso

    e a alegre carne de um certo mundo

    e se eu disser que vou,

    chorará o inimigo

    e estarei preso a um grande castigo,

    o de não me ter perdoado,

    perdoando a ele, esse meu amigo...

    Vinhos e vinhos



    Nobre safra de vinho

    e trago todos

    como lodo sedento

    e espírito tendo

    para mais amar

    qualquer bebida lícita,

    que ilicitamente chegar à minha boca

    maturada,

    satisfeita,

    amavelmente beijada

    por um longo tempo de amor e...

    inebriar-me-á,

    entorpecer-me-á

    embebedar-me-á de alegria

    como um bom vinho sabe fazer...

    Lascivo luto



    Lascivo luto,

    árvore sem fruto,

    um amor bruto...tão ruim.

    Foi-se a erva daninha

    antes, tua, que minha

    como saprófita tínea

    que arranhando a pele

    o coração me fere

    e alastra.

    Enche as tuas lições com amor,

    ergue-te não por um favor

    mas por tua vontade

    porque quem sabe...

    esse luto lascivo não morra?

    Saturday, July 07, 2007

    Duas metades



    Sei de ti

    até bem mais do que devia

    e do teu olhar

    o que me quer ferir

    até quando sorri para mim

    tua alma.

    O que nos quer amados

    está próximo da deslealdade

    e é por isso que de uma verdade

    dividimos a vida

    em duas grandes mentiras:

    a que nos quer amando

    e a outra, separados...

    Anjos corredores



    Meu céu,

    não está na escuridão da noite

    desluarada,

    de estrelas apagadas,

    mas na alva e bela claridão

    de um outro céu sonhado

    que margeia meu imaginário,

    confabula com meu encantamento

    pelo amor que mora em meu peito.

    E assim sou meu anjo

    e estrelas reinvento

    fantasiando na noite

    todos os meus sentimentos,

    louco de amor

    noutras lindas noites encantadas

    disparadas no céu

    de canto a canto

    como o outro anjo

    que namora o meu...

    Sabemos tanto



    Tu que já conheces

    minha alma

    por que tanto demoras

    a abrir teu coração?

    Há uma forte ventania de desejos

    a pedir ao teu e ao meu coração

    para nos apaixonarmos.

    Meu olhar remete-se ao teu amor

    no endereço de tua vontade

    pois bem sabes

    o que cansamos de saber

    quando nossas almas,

    lá longe, se desejam.

    Saturday, June 30, 2007

    Tear Liter�rio_ Poesias_: H�perd�o,sim!

    Tear Liter�rio_ Poesias_: H�perd�o,sim!

    Friday, June 29, 2007

    Há em nós!



    Em ti, muita coisa há

    que já não mais suporto,

    mas apenas tolero

    negando te desquerer.

    Não vês meus olhos reclamando

    e minha boca acuada

    receosa em te dizer...

    Olha-me quem sou,

    o que posso e o que desejo,

    para seres apenas minha mulher,

    assim como os versos que faço

    que longe de me magoarem,

    amam, tecem e agradam

    o que meu coração pleteia.

    Em ti há desacertos que me desgovernam,

    frases que já não as leio

    gostos que já não me apetecem.

    Em ti, creio, mora uma esperança

    que, qual Rapunzel sendo,

    joga-me as tranças

    e eu alcançe outra vez

    o amor de ontem.

    Se minh'alma entender...


    Se entender minh’alma

    tudo o que meu coração pedir,

    haverá de fugir

    e ir morar longe dos meus olhos,

    esses doces abrolhos de mim.

    Uma conquista nos será eterna

    e nosso amor em festa

    há de se iludir

    e entre beijos e abraços assistir

    às falas da relva,

    aos desejos da selva

    às gargalhadas de nosso sentir....

    Quando quiseres vem!


    Mansa mão essa tua

    afaga o meu corpo

    louco de amor

    como o teu.

    Teu sabor sente os meus olhos,

    meus molhos de desejos

    arredios penedos

    não saem do teu mar.

    Há passos de medo e de alegria

    quando vens calada

    e ouço-te na madrugada

    todos os dias

    quando me vens amar,

    proibidamente louca,

    cegando o mundo e os alheios olhos

    que não nos podem achar.

    Quando quiseres,

    vem,vem calada, assustada mas, vem!

    Sabemos tanto


    Tu que já conheces
    minha alma
    por que tanto demoras
    a abrir teu coração?
    Há uma forte ventania de desejos
    a pedir ao teu e ao meu coração
    para nos apaixonarmos.
    Meu olhar remete-se ao teu amor
    no endereço de tua vontade
    pois bem sabes
    o que cansamos de saber
    quando nossas almas,
    lá longe, se desejam.

    Anjos corredores



    Meu céu,

    não está na escuridão da noite

    desluarada,

    de estrelas apagadas,

    mas na alva e bela claridão

    de um outro céu sonhado

    que margeia meu imaginário,

    confabula com meu encantamento

    pelo amor que mora em meu peito.

    E assim sou meu anjo

    e estrelas reinvento

    fantasiando na noite

    todos os meus sentimentos,

    louco de amor

    noutras lindas noites encantadas

    disparadas no céu

    de canto a canto

    como o outro anjo

    que namora o meu...

    O Mar de Japaratinga



    Nessa praia

    sargaços desejei,

    em pedras pisei,

    mulheres amei

    e encantos viram meus olhos,

    esses dois abrolhos da face

    que viram os outros olhos do mar

    na face de sua felicidade..

    E triste, antes que a marola não visse,

    Ouvi a sereia cantar

    e o mar agitado chorar

    sentindo que eu ia embora.

    Então choveu forte

    e o céu do sul

    beijou as águas do norte

    fantasiando o horizonte.

    E como tudo que é trajado pelo mar

    Fui, mas ficou de mim um pulsar

    que ajuntou-se com

    o coração do oceano,

    um amando o outro, dois encantos

    e assim pude sonhar.

    Duas metades



    Sei de ti

    até bem mais do que devia

    e do teu olhar

    o que me quer ferir

    até quando sorri para mim

    tua alma.

    O que nos quer amados

    está próximo da deslealdade

    e é por isso que de uma verdade

    dividimos a vida

    em duas grandes mentiras:

    a que nos quer amando

    e a outra, separados...

    O sol da primavera



    Eu sinto quando o sol nasce

    porque minh`alma alegra-se

    e assim desperta

    como se uma primavera carregasse

    nos átrios dos meus delírios

    de amor,

    onde ando com a outra alma

    descalça e nua

    toda tuaa vida procurando

    para amar o mundo,

    além de nossas duas almas

    arredantes.

    Vive dentro de mim o teu sol

    esse belo companheiro de luz

    que tanto nos seduz ...,

    também apaixonado.

    Poema mudo



    Cada silêncio teu

    fala-me nem tão manso,

    nem tão alto,

    como uma lição o fosse, de fato,

    para alguma solidão

    que nos aguardasse.

    E no suicídio do teu abandono

    morro eu também,

    acabado e triste

    porque sei que não mais existeo amor de antes.

    Cada silêncio teuenvenena-me a alma

    e o que nunca me disseste

    com tuas palavras,

    fala hoje o teu olhar fugidio

    indo-se longe

    como se não houvesse mais em ti

    o que ainda sobra em mim,

    mesmo diante do teu abandono.

    Amo-te amar, amando-me.



    Amo-me muito mais

    quando adentro o teu peito,

    leio teus medos

    e afago o teu coração

    e durmo nu com tua alma

    calma e mansa.

    Amo-te, sim,

    quando assim saio de mim,

    vou ao teu encontro

    para em ti achar morada,

    esquecer qualquer estrada

    e nunca mais voltar.

    Amo-me muito e muito,

    tanto e tanto

    quando sinto a tua alma ouvindo

    tudo que minha alma cala e escuta.

    Amo-te amar,amando-me!

    Amores letrados



    E, analfabeta, tua alma
    não lê meu coração,

    esse diapasão de segredos

    e doces encantos

    que não falo, nem canto,

    guardo-os para te dar.

    Meu coração esquecido,

    esse teu melhor amigo,

    prefacia um amor absoluto

    e te quer bem junto

    na humildade e dócil releitura

    que faz minha alma da tua,l

    inda, solta e nua

    adivinhando as letras de amor,

    cheias de cor

    de um amor que ama.

    Entre tu e eu



    E, para meu coração viver

    e feliz ser

    basta que teu peito o acomode

    e então este nosso amor explode

    e assim,

    o teu em mim,

    beijando os meus abraços apertados,

    saberá beijar com prazer

    o que entre nós viveu e vive,

    apaixonado.

    Aquele olhar



    Não mais posso te ver,

    nem olhar

    porque próximo de mim estão

    outros olhos que me olham

    e tudo sabem,

    tudo dizem.

    Vai e percebe que já é tarde

    e que o que ficar de amor

    entre nós

    é menos que a metade

    de tudo que te amor um dia.

    Mas deixa aquele outro olhar escondido

    para que eu possa

    quando me doer o coração cheio de saudade

    poder te reamar

    e ter de volta comigo

    aquele doce olhar

    por quem me apaixonei um dia

    E pronto!


    E pronto!

    Tua mão apanha a minha

    e teus olhos encontram os meus

    e um só desejo nasce

    fundido entre dois corações

    e apenas uma alma.

    Somos já, então, apaixonados,

    um em cada canto,

    que ainda estando longe,

    são proximamente amados

    como quando os teus olhos

    olham os meus

    e segredando amores,

    os meus são teus

    e os teus são meus.

    Amigo das estrelas



    As estrelas de quem sou filho

    ensinaram-me a brilhar

    entre o amor e a amizade

    pescando sonhos

    vivendo amores

    tecendo alegrias.

    Meu céu possui sóis e paraísos

    onde sonho e me abrigo

    sendo poeta e poema

    das rimas dos meus encantos.

    As estrelas são filhas minhas,

    as que me amam e que adivinham

    que o céu onde elas moram

    também é meu

    e, poetando, não as deixo

    e, amando-me,

    elas nunca vão embora.

    Saturday, June 16, 2007

    Flores de amor



    Flor minha,

    em que caminho te beija

    minha saudade?

    Andei em vãs estradas,

    mornas de tuas lágrimas,

    doídas do meu desamor.



    Minha flor,

    eis-me um colibri

    ao teu amor sentir

    voltando ao que era antes.



    Flor minha,

    adivinhas...

    qual homem mais te amou

    que eu?

    Quanto maior!



    A quantas anda tua dor

    que não mais sinto?

    Espinhos não me furam mais

    e amo outra, que,

    como tu, possui as suas dores.

    E o teu coração,

    ainda se lembra de mim?

    Tanto te amei que,

    para apagar a dor,

    tive que buscar em um outro amor

    o amor que em te deixei.

    Retorno desolado



    Retorno ao teu amor

    amando tanto ainda,

    bem mais que ontem.

    Minha humildade trouxe-me

    de olhos fechados,

    sob eterno mar de risos.

    Onde posso assentar-me?

    Dize o que terei de fazer

    para em te amando de novo

    não te magoar como antes.

    Retorno sem asas,

    mas feito um anjo bom

    que saindo do papel,

    neste poema,

    trouxe-te ao coração

    um novo céu de amor.

    Para te amar...



    Se sofro, é por amor,

    um grande amor vivido

    como se nunca fosse acabar

    um dia.

    Se sofro, sinto essa dor

    que ainda maior que o meu amor,

    não me mata.

    Se amo é porque sinto

    que nada neste mundo me divide

    do amor dela.

    Se terei de novamente sofrer,

    eis-me ao teu grande prazer

    que se para me maltratar,

    for esse o meu valor,

    então deixa essa dor amar-me.

    Volta de vez!



    Venho de infinitos lugares,

    aportado de inúmeros cais,

    pleno de tantos amores,

    mas voltar, eu, nunca mais!

    Serei apenas de um amor ficado,

    ter o cheiro do teu único abraço,

    beijo de teu lábio tão voraz,

    caminho por onde começa nossa saga,

    saga de quem sempre amou demais

    nas brandas tempestades dos oásis,

    nas calmarias agitadas dos cais.

    Eis-me enfim voltando aos teus braços e abraços,

    amor único, vivo, deixado para trás.

    Voltei por amor ao teu amor

    e, chorando, sorrir em teu louvor

    para te dizer o que não disse antes

    que o meu amor hoje, trouxe de ontem:

    hoje, ama-te ainda mais.

    É adeus?



    Traz-me o mormaço da dor

    e esse espinho que tanto fura

    para eu saber que o nosso amor

    não foi apenas uma desventura.



    E será eternamente assim:

    eu a chorar,

    tu a sentires... que,

    me foste a maior mulher

    e eu teu maior homem!



    Há uma grande história de amor

    sobre uma historieta de dor

    que nossas almas nunca suportaram.



    Que meu último beijo

    molhe os lábios teus

    e sem mais chorar

    resfolegue um adeus

    que nunca nos maltrate.

    Longínquo amor...



    Qual é o encanto meu

    que desencanta o teu

    e ama-nos diferente?

    Qual é o desamor que há

    que nos vendo a amar

    já não nos ama tanto?

    Há um forte vento gélido

    atrás desse querer singelo

    que me fez um dia apaixonar-me

    por tuas lindas tempestades.

    Dois encantos separados agora há.

    Vou assentar-me noutro lugar

    para poder continuar

    a amar-te de longe...

    Fique!



    Nossa casa agora é tua

    e o teu coração é teu.

    Levo comigo uma boa lembrança

    mesmo que junto vá essa desesperança

    de ter que dividir o meu amor

    com outro que te amar,

    o que era apenas meu.

    Meu coração vai desacostumar-se

    dos teus beijos

    e a tua mão sorrateira e vívida

    há de acenar à vida

    e não negar o amor que te dei,

    tão grande que ainda se esconde, eu sei,

    do amor que é teu.

    Minha companheira



    Houve um lindo dia de amor

    quando te conheci.

    Meu coração sentiu tua alma

    debruçado em tantos sentimentos lindos.

    A ponte desligou desejos,

    você lá, eu em meu deszelo,

    em frias noites de desesperança.

    Hoje restam-nos as lembranças

    maiores que um grande retrato,

    maior que tudo,...

    e o meu amor chora o absurdo,

    dói no coração

    a perguntar às nossas almas

    por que nos separamos?

    Há perdão,sim!



    Se eu morrer te amando,

    beija a foto que tiramos

    no dia primeiro que te vi.

    Lembra-te o quanto amei

    teu coração,

    esse doce ladrão de mim

    que soube amar tanto,

    a maltratar-me inconsolado

    por teus ciúmes escondidos

    em tua própria alma.

    Se eu morrer te amando,

    perdoa-me qualquer desamor

    que por um instante

    não te disse de mim

    a verdade...

    do amor que te dei.

    Amar para sempre!



    Por que te amo tanto

    nesse sofrimento infindo

    quando esse barulho faz dormir

    o meu silêncio que te adora?



    Por que não pode ser doutro jeito

    esse amor que há em nós,

    por que tem que ser tão feroz

    o que desama a gente?



    Que as lágrimas caiam,

    o amor resista

    e a ferida doa...,

    hei de levar-te no coração

    por minha vida toda

    como se nunca houvesse desistido...

    Muro de ciumes


    E nada há mais em ti

    que eu não decifre, não goste,

    e que eu não tenha visto

    com o olfato dos meus desejos loucos

    que abraçando o teu corpo

    fazia o meu me amar...



    E a tua alma foi se tornando minha...

    e a tua voz, essa amiga que fiz,

    chamava-me perdidamente apaixonada

    entre o fio e a navalha

    cortando tudo o que não nos pertencesse.



    Amei demais o teu amor maduro,

    fiz do meu corpo anteparo e muro

    para te separar do resto do mundo

    onde habitava meu amargo ciúme

    adoecido pelo medo de te poder perder um dia.

    Amor aportado



    E este amor longe de nós,

    sem qualquer dor que por perto passe,

    é um céu, quase um deserto

    onde podemos habitar bem separados.

    As mentiras, agora, são nossas verdades,

    o retrato de tudo

    o retrato de nada.

    Não há estradas que nos tragam

    e nenhum outro amor virá a nós

    e que o sol, o céu e a chuva morram

    para que, te amando, eu ouça

    a zoada do mar e poder ser teu:

    navio,

    marinheiro

    e cais.

    Cheio de amor



    No perfume do teu silêncio

    gargalha o meu amor

    pelo barulho de uma eternidade.


    Ao rude vento,

    tempestadeei os meus segredos

    ditos às mil bocas do mundo

    para ninguém saber dele.


    Há um sol custoso que me molha,

    onde vai a tua chuva que me queima

    como se o horizonte findasse

    onde começasse o fim de tudo.


    No perfume do teu silêncio

    barulha o meu medo de perder-te.

    Ama-me então, como se todos soubessem

    e apenas nós dois quiséssemos

    morrer apaixonados.

    Engano dos olhos


    Meus olhos enganados estão

    pelas lágrimas do teu coração

    que nunca me amou de verdade.

    Há outros olhos enganados, sim,

    dentro de nós dois,

    mais de mim,

    que quis ser enganado.

    O teu mundo não me aceitou

    e a alma que te amou

    não mais viverá para te amar

    como antes.

    Morreram todos os meus sentimentos,

    deixo-te o espólio de um lamento,

    não quis de tudo morrer por amor.

    Um segundo amor



    Minha mão lava as tuas

    enquanto os meus olhos te olham

    a falar ao teu coração duro.


    O meu bem-querer, o que te dei,

    sei,abandonaste sobre brasas,

    em desgraçadas palavras,

    enviaste-me e eu chorei.


    A tua ignorância me marcou

    e longe foi o nosso amor

    viajar dentro de um desgosto.

    Resta-me abraçar minha desilusão

    e, chorando, pedir ao meu coração

    passe a amar outra pessoa...

    Passos sumidos...



    Tantos passos meus

    foram ao teu encontro / desencontro

    e falaram sobre mim...!

    Estive aí, sem ir, recebendo o que me trazias

    através do vento soprador,

    talvez também apaixonado

    por nós dois.


    Tantos passos dei e deles, tantos mais,

    nunca te disseram nada

    e nem retornar puderam

    e nada conhecemos de nós.



    Muitos passos choraram

    muitos passos sorriram

    e que estrada havia nos separado?



    Deixei na areia o retrato dos meus pés.

    Se puderam escrever algo do coração,

    menos ruim:

    saibas que os passos meus

    são como os teus, loucos por mim.

    Tuesday, April 17, 2007

    O coração quer falar



    Vou fabricar nova existência
    e no amor tecer certas desinências,
    ser da vida o outro lado
    para sair de mim,
    deixar de ser teu alvo,
    setar teu coração.
    Sê-lo-ei de forma rísica, tônica
    adulando os adágios da vida,
    poupando o coração de certadores
    reaprendendo a amar novos amores
    desangustiando as dependências.
    E sentimentos hão de ficar,
    ou que mais ousarem delatar
    meus mais sinceros desejos.
    E ainda que a voz se cale
    nada me impedirá que eu fale
    o discurso que me pedir o coração.

    Morto e vivo!



    Eu vou me matar,
    não durará mais que um instante,
    já, já estarei de volta
    morrendo para viver
    bem muito.
    Eu vou viver
    e, antes, chamar a noite
    para me fazer companhia
    dia e noite, noite e dia,
    para morrer tranqüilo
    a seu abrigo
    saudadeando a vida!

    Pecador perdoador





    Não penso perdoado,
    antes cato o perdão
    nos passos da vida e do mundo
    como um moribundo,
    andrajoso pedinte,
    vendo no sofrimento
    a mais bela lição de humildade
    e de amor à alma.
    Falo perdoando até os inimigos
    que dentro de mim
    jamais se transformam nisso
    mas em respeitados homens...,
    um pouco distantes...
    mas amados.
    Considero-me a suprema humildade
    mas se não for verdade,
    perdoem-me:sou humano,
    pecador perdoador de tudo.

    Amor desfigurado



    Nosso encanto se desfigurou.
    Há apenas um resto de amor
    entre nossas almas.
    Foge-me da mão,
    abandona meu coração,
    vai ao mundo!
    E se minha saudade chorar
    hei de ir te procurar
    em qualquer outro coração
    que habitares,
    e que não seja o meu.